Será que tem uma vaga pra garçonete?
Masdar será uma cidade no meio do deserto árabe com a proposta de ter zero emissão de carbono. Para tal utiliza toda tecnologia de ponta, sendo a energia produzida pela luz solar e pelos ventos. Nesse caso, a geografia favorece, pois se trata de um deserto, com muita incidência de luz solar e superfície plana, favorecendo as correntes de ar.
A cidade deverá ter capacidade para abrigar até 400mil habitantes e servirá de modelo auto sustentável. Não terá veículos, pelo menos não como os conhecemos hoje. Ninguém terá um carro, os carros serão como táxis, basta acionar e o que estiver mais próximo virpa até você. Também terão transportes coletivos. Todos com sistema inteligente, dispensando motoristas. Apesar desse conforto, Masdar está sendo feita para estimular o "saudável hábito de andar a pé", com ruas arborizadas a temperatura deve se manter sempre agradável.
A água virá do oceano e será dessalinizada e tratada na própria cidade, utilizando a energia solar e heólica. Dessa forma, não haverá falta d'água.
Ok, parece o Éden, porém, estariam os homens adequados para este novo estilo de vida? As pessoas, desde a primeira revolução industrial, separam a tecnologia do natural. Hoje cada vez mais se vê que não pode haver tal separação, um depende do outro. Masdar traz essa proposta, uma simbiose entre tecnologia e meio ambiente, para melhor acolher os homens, proporciando uma constante melhora em sua qualidade de vida, evitando desperdícios.
O modelo de cidades desenvolvidas que temos hoje refletem nossa própria maneira de ser, são caóticas, exageradas, desperdiçam muito com nada, aproveitando quase nada do muito. Aquela constante impressão de que está tudo errado. Isso se dá pela dicotomia, já muito falada por Leonardo Boff e Fritjof Capra, do "isso ou aquilo", quando na verdade são "isso e aquilo".
Somente agora que o esgotamento dos recursos naturais começa a tomar forma, que autoridades do mundo inteiro vem se preocupar. Bem, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.
Mas, se as coisas, o sistema, os governos, são um reflexo de nós mesmos, a quem caberá viver em Masdar? E mais, quem serão seus governantes? Acho que lá vai ser equilibrado demais para seres de espírito tão pequenos que nós somos.
Na verdade, acho que Masdar, mesmo sendo construída, não vai dar certo. O projeto já é fruto de uma vaidade, e o equilíbrio não sustenta vaidades, nem orgulhos, nem mesquinhez.